domingo, 2 de outubro de 2016

Amor Amargo

     "E, mais uma vez, me passou pela cabeça que ali estava a chance de eu abrir o jogo. Ali estava a chance de falar sobre o que tinha acontecido.  De ouvir conselhos. De chorar por continuar amando-o e por estar preocupada que talvez ele estivesse tão bravo que jamais voltaria a me procurar. E de jeito nenhum, ser aquela garota, aquela de quem todo mundo sente pena pois não é forte o bastante para conseguir deixar de amar o cara que a maltratou. 
Mas, assim como das outras vezes, abrir o jogo pareceu uma má ideia. Eu sabia que, mais do que nunca, faria tudo o que estivesse ao meu alcance para impedir que aquilo se repetisse. E, se abrisse a boca agora, todos passariam a odiá-lo e, quando ele se arrependesse do que tinha feito, ficaria tão decepcionado comigo que eu o perderia de vez. O caroço subia, pulsando e implorando pra sair, mas eu não podia expeli-lo. Precisava mantê-lo ali dentro, oscilante, porém seguro." (BROWN, 2015, p.153).


Amor Amargo... Que livro difícil de ler. Sabe quando você se sente amiga da personagem principal e sente incapacitada de dar uns sacodes nela e pedir pra ela parar com isso? De só querer dar um abraço nela e dizer que vai ficar tudo bem? Quando você só quer dar as mãos para os, também, amigos dela de infância para conversarmos e tentarmos pensar o melhor jeito de tirar ela dessa situação? Então. Isso é Amor Amargo.

Meu amor pela Jennifer Brown começa por A Lista Negra e desde então eu espero ansiosa o lançamento de todos os livros dessa autora. Ganhei o livro de presente no Clube do Livro da Gutenberg uns meses atrás. Quase chorei de alegria e agradeci a menina por vários minutos, pois finalmente estava com o novo livro dessa autora maravilhosa em mãos! Não esperei e comecei a ler o mais depressa possível. Acabei o livro em lágrimas, meu único arrependimento foi de não ter lido ele antes.  No Clube do Livro para tratar sobre a história eu fiquei presa no trânsito do Rio de Janeiro. Sim, perdi a chance de debater a história e esse tema super importante por causa do trânsito. Obrigada, Olímpiadas! Fiquei muito triste, fiquei tentada a chorar ao descer do ônibus no meio do caminho para voltar pra casa. Tinha tantas coisas para falar, tantas coisas para debater... Queria saber se as pessoas entenderam a Alex como eu entendi, se elas ficaram com o sentimento ruim ao lembrar de todas as vezes que julgaram outras mulheres por viverem nesse tipo de relacionamento... Tantas coisas... Tantos assuntos que esse livro me fez pensar...

Mas enfim. O livro trata sobre relacionamento abusivo e aborda com bastante sensibilidade o assunto. Conta a história de Alex, adolescente do ensino médio que perdeu a mãe quando criança e desde então, sonha em conhecer o Colorado, lugar em que sua mãe iria fugir se não fosse o acidente que tirou a sua vida. Ela planeja a viagem de formatura com seus dois melhores amigos, Zach e Bethany, para tentar descobrir o que há de importante lá. Alex trabalha em uma lanchonete para pagar essa viagem e possui um relacionamento distante com o pai e as irmãs, o seu apoio são os seus amigos de infância.

No último ano da escola, próximo da viagem, Cole chega à escola. O famoso boy lindo, maravilhoso, atleta e que parece entendê-la como ninguém. O garoto é transferido de outra cidade e apresenta ser o que ela sempre desejou. Por ser monitora de Inglês no colégio, ela passa a dar aulas de reforço para ele, assim, o conhecendo melhor. Ela fica encantada por ele já no primeiro encontro, pois Cole é aparentemente perfeito e dá atenção pra ela como ninguém tinha feito antes.

Com essa aproximação, os dois começam um relacionamento e tudo parece ser um conto de fadas. Você até pensa "nossa, ele realmente é fofo", porém ao começar o namoro as coisas mudam. De início sempre aparenta ser uma brincadeira e algo que se pode deixar passar, porém ele dá atenção pra ela, né? Além disso tudo, ele é um gato e atleta, o que pode ter demais uma brincadeirinha de mau gosto? Esse é o pensamento de Alex e infelizmente, talvez possamos pensar isso também. Ele se mostra ciumento e possessivo aos poucos, você nem repara os níveis de controlador que ele vai se tornando.

É interessante ver no livro o passo a passo da transformação do Cole no relacionamento dos dois, as pistas que ele dá ao mostrar que é um abusador e os sentimentos por quais a Alex passa. Vamos sentindo junto com ela o quanto ele está mudando o seu jeito de agir e as mudanças da sua relação com os amigos.

Cole simplesmente não gosta de ver Alex conversando com o Zach, questiona a quantidade de tempo que ela passa com os seus amigos e os abusos começam com simples palavras, e depois vão aumentando para mudanças bruscas de humor e a punindo por coisas que ele não acha aceitável. Porém, Alex o ama e sempre cria uma justificativa para as suas ações, até o ponto em que acredita que a culpa é dela e que não deve falar para ninguém. Começa a questionar a si mesma e de suas capacidades e também, a amizade com  Zach e Bethany. 

O livro é pesado ao vermos os pensamentos dela, os seus sentimentos feridos e as soluções que ela tenta montar na cabeça. Só fiquei pensando nas milhares de mulheres que passam por essa situação e não sabem o que fazer. Fiquei fascinada pela escrita da autora e de como ela fez a  gente entender cada sentimento. Então fui pesquisar. Jennifer Brown é formada em psicologia e na faculdade participou de um projeto de pesquisa sobre violência doméstica. Então, ela sabia como abordar esse assunto.

Esse é uma daquelas histórias que você quer que todo mundo leia. Todo mundo vai se identificar com essa situação, vai lembrar de alguém que já viveu por isso ou talvez, vai ficar imaginando se suas amigas/amigos estão passando por isso e você ainda não percebeu. Se você já leu o livro, vamos conversar sobre! Comente se você também sentiu alguma dessas coisas! 

      

terça-feira, 20 de setembro de 2016

A Separação



Sirmin e Nader estão se separando. O plano era deixar seu país, o Irã, em busca de uma vida melhor para a filha adolescente, Termeh. Mas Nader acaba desistindo por conta do pai, que tem azheilmer e precisa de cuidados especiais. Assim, Sirmin entra com o pedido de divórcio para que pelo menos ela possa ir embora do país com a filha, mas o pedido acaba sendo negado pela justiça. Mesmo assim, Sirmin sai de casa, ao passo que Termeh prefere continuar morando com o pai e o avô. Como Nader trabalha e Termeh passa boa parte do tempo na escola, ele contrata uma moça para tomar conta do pai enquanto ele não está em casa. Só que esta mulher está grávida e trabalha escondida do marido.

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oh well
A Separação me surpreendeu em diversos níveis. Primeiro porque o filme é, quase que inteiramente, um drama doméstico. Por se tratar de um filme iraniano, e também por ser o primeiro filme dessa nacionalidade que assisti (embora já tenha visto outro filme desse mesmo diretor), eu esperava uma história mais ligada à tradição e à religião. Sendo que o filme tem pouquíssimo a ver com isso. É um entra e sai de tribunais, delegacias e hospitais que é comum em qualquer parte do mundo. Claro que a cultura está muito presente, mas é uma abordagem bastante sutil, que faz com o que filme se torne muito mais universal do que única e exclusivamente um retrato de um lugar. 

E segundo porque, apesar do título, o filme vai muito além da separação em si. Aliás, ela é só o ponto de partida para que tudo se desenrole. A contratação da moça por Nader traz uma complicação tremenda para a família porque ela acaba perdendo seu bebê e acusa Nader de ter causado isso. A partir daí somos envolvidos numa trama de suspense, tensão e dúvida ao passo em que o quebra-cabeça vai se montando e desmontando diante de nós durante todo o filme. Não sabemos se Nader realmente foi culpado; achamos que Nader foi culpado; achamos que a mulher diz a verdade; não sabemos se a mulher diz a verdade. E por aí vai.

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rala sua mandada
Sempre que algo parece ter sido resolvido, uma nova informação vem à tona e todas as suas certezas caem por terra. Algo semelhante ocorre com os personagens, que se encontram na mesma confusão mental que nós, o público. Os personagens, ah, os personagens... *suspiro* Eles também vão se encontrar em encruzilhadas morais entre fazer o que é certo e o que seria o melhor, mesmo sem, muitas vezes, saber toda a história. Acho interessante como todos os personagens nunca são inteiramente bons ou ruins. Eles são pessoas normais, assim como eu e você, com suas qualidades e defeitos, e com diversas camadas específicas a cada um. Às vezes cometem erros e às vezes acertam, mas tudo bem, vida que segue.
 
Toda essa história acaba por afetar as relações interpessoais dos personagens. Fica difícil conviver com uma pessoa quando não se confia nela, né? É por isso que vamos acompanhando a deterioração da relação de Termeh com o pai e também a de Nader com, basicamente, todos os demais personagens do filme, hehe. Principalmente sua ex-esposa. E é aí que entra a tal separação do título. Muito mais do que a separação de sua esposa, Nader fica praticamente isolado. Pra falar a verdade, acho que nem ele mesmo confia em si próprio. Tudo isso vai se somando para dar lugar a um final surpreende e pungente. De cair o queixo e fazer o olho lacrimejar frente à tamanha genialidade.

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Assim, Asghar Farhadi fez valer a pena minha primeira incursão no cinema iraniano e conseguiu, assim como quem não quer nada, criar uma obra prima do cinema: A Separação. Assistam.


domingo, 7 de agosto de 2016

A Cinderella e a vespa



Venho por meio deste dar seguimento ao meu trabalho de divulgadora da Netflix porque descobri a pior/melhor coisa da plataforma. Caso você tenha baixa tolerância a coisas tão ruins que chegam a ser boas, prossiga com cautela.

Como eu cresci nos anos 90/00, filmes que se passam em Roma são um PARAÍSO, afinal de contas, meu caráter foi moldado por Sabrina Vai à Roma, Lizzie McGuire – Um Sonho de Popstar e Férias em Roma. Ou seja: qualquer indício de uma mísera VESPA é o suficiente pra eu embarcar em algum filme/série. E foi assim que fui parar em Uma Cinderela em Roma. Devo ressaltar que me surpreendi MUITO, mas, talvez não pelos motivos certos...

i can't even
Aurora vem de uma família musical. Seu pai é um famoso maestro que a incentiva muito e sua mãe, que morreu quando ela nasceu, tentou uma carreira no piano. Assim, ela sonha em se tornar uma grande pianista. Prestes a sair em turnê, o pai de Aurora se vê praticamente obrigado a casar com a governanta da casa, que ameaçava deixar o emprego, o que faria com que Aurora ficasse sozinha. Ela é mãe de duas garotas mais ou menos da idade de Aurora. Nenhuma delas é muito agradável, mas não causam maiores problemas à Aurora. Mas as coisas começam a mudar quando o pai de Aurora falece de repente, deixando muitas dívidas. Assim, a madrasta transforma a mansão em um hotel e obriga Aurora a trabalhar lá (sem receber nada por isso, é claro).

Nesse meio tempo, Aurora conhece o vizinho da casa ao lado, garoto que vem de família nobre e tem o sonho de ser escritor. Ela se apaixona por ele, mas logo ele e toda a família deixam a casa e ela teme nunca mais vê-lo. Conforme os anos passam, Aurora vai contando os dias para fazer 21 anos e finalmente receber seu trust fund, criado por seu pai antes de morrer. Com o dinheiro ela será capaz de deixar o hotel e perseguir seu sonho. Em meio a tudo isso, alguém se muda de volta para a casa ao lado e o hotel recebe uma excêntrica hóspede... 

 
A história é ótima, né? Toda essa vibe italiana, anos 50, música etc. A premissa é adorável, mas a execução não é das melhores. Os atores da primeira fase da série são SOFRÍVEIS e, embora a segunda fase tenha um nível melhor de atuação, o texto fraco acaba prejudicando, um pouco, mesmo os mais experientes. Fora isso, por vezes a história fica um pouco confusa e as coisas acontecem muito rápido, quase se atropelando. Esse é o momento em que você deve estar se perguntando então por que você tá indicando isso pra gente, Mariana? PORQUE É TÃO RUIM QUE CHEGA A SER BOM!!!!!!!!!!!!!

Eu não sei vocês, mas eu AMO assistir coisas ruins. Se tiver efeito especial mal feito, imagem ruim, atores péssimos e afins eu tô lá. Afinal, esse é o charme do negócio. Nesse caso, eu achei a premissa GENIAL e resolvi dar uma chance já esperando uma decepção. Mas quando vi que o nível não ia ser dos melhores eu AMEI DE CARA!!!!! Os atores não são dignos de Oscar, a fotografia deixa a desejar, o texto é péssimo etc etc. É tudo tão errado que o nome da Cinderela é Aurora, sendo que esse é o nome da Bela Adormecida! Mas é uma série que tem coração e é tão divertida que acaba valendo a pena. 

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THE CHEMISTRY
É claro que nem tudo é ruim. A Cinderela e o príncipe têm personalidade!!!! Aurora não é aquela mocinha mosca morta que estamos acostumados a ver por aí. Ela se impõe à madrasta quando necessário, corre atrás de seus sonhos e ainda arranja tempo pra ser bondosa. Já o príncipe tem todo um plot envolvendo sua família e sua verdadeira vocação. E a química dos dois... <3 Além disso, a forma como os principais elementos do conto original, como a fada madrinha, o baile e os ajudantes da Cinderella, foram adaptados para o cenário e época escolhidos foi sensacional.

No mais, não podemos esquecer de Roma, não é mesmo? Temos as ruas estreitas, a feira, o Cinecittá (!!!), o rio Tibre e, é claro, as vespas. Aliás, uma Cinderella andando de vespa!!!!!!!! How cool is that? (inclusive voto pelo nome da série mudar pra A Cinderella e a Vespa) Fora todo o figurino anos 50, coroado pela roupa de baile de Aurora, que a Deusa abençoe. A trilha sonora também não deixa a desejar, variando da música clássica a um pop bem delicinha. Ah, e o príncipe é a coisa mais linda. 

meus próprios filhos
Uma Cinderella em Roma é uma minissérie em apenas dois episódios de 90 minutos e está toda disponível na santa Netflix. É péssima, mas também é maravilhosa, divertida, tocante e envolvente. Assistam e por favor não me matem <3


sábado, 30 de julho de 2016

I'm Lovesick

Lovesick é a mais nova série da Netflix (Mariana Marins trabalha de graça como divulgadora na empresa Netflix)! Na verdade, essa é uma série britânica do Channel 4, que se chamava Scrotal Recall (concordamos que Lovesick é um nome muito melhor, né?). Mas quando foi adquirida pela Netflix, o site resolveu dar continuidade a ela, visto que até então só tinha uma temporada. E é justamente dela que eu vou falar pra vocês.

Tudo começa quando Dylan descobre que está com clamídia, uma DST que, como alguns de vocês devem lembrar, já causou muitos problemas lá em Skins (esses ingleses...). Além do tratamento, a médica recomenda que ele contate suas últimas parceiras sexuais tanto para descobrir quem lhe passou quando para alertá-las de que ele pode ter transmitido a elas. Assim, Dylan faz uma lista e começa a ligar ou encontrar essas mulheres pra lhes dar a notícia fatídica.

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Cada episódio é centrado em uma moça e mostra pra gente como eles se conheceram ou começaram a ter um relacionamento e também o presente, mostrando como cada uma reage à notícia e como está a vida delas agora. Além disso, existe uma narrativa que acontece no presente sobre os sentimentos de Dylan para com uma certa moça...

Sinceramente, não sei nem por onde começar a falar dessa delicinha. Eu já queria assistir à essa série há algum tempo por motivos de Johnny Flynn, ator e cantor que amo e interpreta o Dylan. Mas na época, não consegui achá-la em lugar algum, então deixei passar. Até que, num belo dia, quando entrei na Netflix pra assistir Vikings, dei de cara com o anúncio de que a primeira temporada da série estava disponível e ouvi um coral de ANJOS cantando aleluuuuuia ao fundo. Juro. E aí eu comecei, mais por causa do Johnny do que por qualquer coisa e, cara, que surpresa boa.

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Lovesick é uma delícia. É uma série curta, que vai direto ao ponto, mas mesmo assim consegue entregar MUITA COISA em seus seis episódios. O próprio piloto é MUITO BOM, super bem construído e envolvente (e olha que eu não costumo notar essas coisas em séries). Dylan descobre a doença, faz a lista e começa a ligar, em ordem alfabética, o que nos apresenta a Abigail. Quando o flashback de como eles se conheceram começa, já fica clara qual vai ser a estrutura da série, que é uma mulher por episódio etc. Mas o interessante é que durante o episódio, ele vai conhecendo algumas mulheres diferentes e só no final descobrimos quem é A Abigail. E como se não bastasse, ainda nos é dada uma informação que é o que vai carregar a trama no presente (que eu não vou nem dar dica porque eu quero que todo mundo seja pego de surpresa que nem eu) (mentira, vou dar dica sim: é uma das coisas que eu mais amo em estórias). A partir daí eu já estava com as expectativas lá no alto né... E Lovesick atingiu todas elas.

Dylan é todo romântico, um pouco tímido, meio perdido na vida e SUPER leal aos seus amigos. Aliás, a amizade dele com Luke e Evie é uma delícia. Eles se apoiam, se ajudam, dão conselhos um pro outro e estão sempre lá quando algum deles está precisando. Luke e Evie também são personagens ótimos. Luke é o típico garanhão que não quer saber de compromisso sério, mas que no fundo tem um coração de ouro (ou não... hehehe). E Evie é uma fotógrafa sarcástica que sempre ajuda os amigos, mesmo que isso a coloque em algumas situações delicadas (I feel you in a spiritual level, Evie). Os três são muito unidos e juntos vivem as situações mais engraçadas e absurdas e, até mesmo, algumas bem tocantes. Eu me envolvi na vida deles de tal forma que estou quase sendo obrigada a escrever fanfics pra aliviar a espera pela season two.

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MEUS PRÓPRIOS FILHOS
Ainda não está convencido? Bom, estamos falando de uma série inglesa, né? Então é claro que vai ter aquele típico humor britânico, o texto é rápido, inteligente e sarcástico. E, naturalmente, a trilha sonora é deliciosa. Infelizmente ainda não tem playlist no Spotify da Netflix, but let’s hope for the best.

A primeira temporada de Lovesick tem seis episódios de meia hora e está todinha na Netflix só esperando você dar play. A segunda deve estrear só em Novembro, mas até lá você pode vir comentar e sofrer comigo!

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pode me ligar também

domingo, 12 de junho de 2016

A realidade por trás dos reality shows


Se você ama reality shows, UnReal é a série certa pra você. Mas talvez não pelos motivos que você pode estar pensando...

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rainha
UnReal conta os bastidores do reality show Everlasting, claramente inspirado em The Bachelor. Caso você não esteja familiarizado,The Bachelor já é um clássico da TV americana. Um reality em que um ~bom partido~ é disputado por uma dezena de mulheres lindas e maravilhosas. O reality produzido na série é justamente inspirado nisso, mas por se tratar do lado por trás das câmeras, ele vai nos mostrar algo bem diferente do que esperaríamos ver.

Assim, seguimos o trabalho de Rachel, a assistente de produção do programa, que é uma das melhores no que faz. Rachel está voltando de um período em que esteve afastada do trabalho após um leve surto psicótico durante as gravações de uma das últimas edições. Portanto, ela tem que ganhar a confiança de seus colegas trabalho de volta. Acontece que, mesmo sendo muito boa no que faz, Rachel não acredita mais naquilo tudo. E é aí que as coisas ficam interessantes.

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aren't them all
O que UnReal vai nos mostrar é que reality shows podem ser tudo, menos reais. Tudo que você vê no conforto da sua casa vem às custas de muita manipulação, trapaça, chantagem e tudo que há de ruim. As conversas e relações mostradas nos episódios de Everlasting muitas vezes são cortadas, editadas, manipuladas e fabricadas para mostrar o que os produtores acham que vai vender e agradar o público. E Rachel não aguenta mais toda essa bullshit (apesar de continuar fazendo parte dela hehehehe). Ela trabalha meio que a contra gosto: por um lado ela não quer mais fazer parte de toda essa sujeira, mas por outro, é a única coisa que ela sabe fazer. E nós vamos acompanhando esse dilema dela, bem como os de outros personagens.

Então vamos conhecendo os responsáveis por todo esse circo: Quinn, a produtora chefe, todos os outros assistentes, a psicóloga, o ~dono~ do programa, os câmeras etc etc. O que eu acho incrível é que TODOS, absolutamente cada um, sem tirar nem por, são pessoas HORRÍVEIS. Desde o pretendente, que a princípio parece um príncipe encantado, até a menina do cafezinho. Inclusive a Rachel. A gente torce por ela, mas a mulher também é o cão chupando manga. Cada uma dessas pessoas não mede esforços para conseguir o que quer, puxando o tapete dos demais e fazendo de tudo pra se dar bem no final e sair por cima. É tudo tão absurdo que eu queria tomar banho depois de assistir os episódios, de tanta sujeira acumulada. É horrível. Mas ao mesmo tempo incrível. Sério.

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COMO NÃO AMAR
O que eu acho mais interessante é que mesmo fazendo esse monte de merda, nós ainda conseguimos nos importar com determinados personagens e, se não torcer por eles, pelo menos entender o que eles fazem, visto que suas motivações se tornam bastante claras para o público. Ás vezes isso significa torcer para que as tramoias deles deem certo, o que certamente vai significar que alguma outra pessoa vai sair prejudicada, mas é aquele ditado: vamo fazer o que né? ¯\_()_/¯ 

Mas nem tudo é tão horrível assim. UnReal ainda nos dá uma das melhores amizades femininas da TV, entre Quinn e Rachel. Seguindo o padrão da série, tem muita coisa errada nessa relação, mas também tem muita coisa boa. Elas discordam, concordam, se manipulam, querem se matar etc etc. Mas acima de tudo, são amigas que querem o bem da outra e se apóiam muito. O que, pra mim, só torna tudo mais real. Afinal de contas, ninguém é perfeito, e nossas relações com os demais nunca são uma coisa só, não é mesmo? Considero esse um dos maiores méritos da série: personagens multifacetados, assim como seus relacionamentos.

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Pra completar, a série tem uma temporada de 10 episódios, e cada um deles é mais viciante que o outro, então você vai querer maratonar pra saber o que acontece no final. A segunda temporada acabou de estrear, então ainda dá tempo de se atualizar. Mas se nada disso serviu pra te convencer, fiquem com Adam, o famigerado pretendente, também conhecido como o homem que consegue ter química até com uma tábua (e possivelmente dá em cima até delas).

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you can have me

Depois de assistir UnReal você nunca mais ver reality shows da mesma forma.




sexta-feira, 20 de maio de 2016

Uma road trip renascentista




tive que cortar o resto da capa porque é sofrível

Gabriella Mondini é uma médica nascida e criada em Veneza. Vive apenas com a mãe, pois seu marido morreu e seu pai, também médico, partiu em uma busca por curas e medicamentos há dez anos, da qual nunca mais voltou. Até aí nada demais. Acontece que Gabriella vive na Veneza do século XVI, em pleno Renascimento, onde uma mulher que exercia a medicina era praticamente uma heresia.

Ela só foi permitida tal ousadia por conta do respeito que todos tinham por seu pai, um médico brilhante. Mas quando sua partida completa dez anos, a Guilda dos médicos decide dar um basta nisso, exigindo que ela tenha o aconselhamento de um homem caso queira continuar exercendo a profissão. Por conta disso, Gabriella decide partir em busca de seu pai, o único que estaria disposto a tal feito. No caminho ela pretende terminar O Livro das Doenças, um almanaque de doenças e suas respectivas curas que ela e seu pai começaram a compilar antes que ele partisse. 

O Livro da Loucura e das Curas já me ganhou pelo nome que, venhamos e convenhamos, é maravilhoso. Quando soube dessa premissa interessantíssima, foi amor instantâneo. Afinal, como deixar passar uma road trip renascentista encabeçada por uma médica?! Infelizmente, a  leitura acabou me decepcionando um pouco, e eu vou contar pra vocês o por que. 

Gabriella e seus criados viajam através da Europa atrás de pistas do pai dela, que ela vai tirando das cartas que ele lhe enviou durante o tempo que esteve fora. Em determinado momento, suas palavras dão a entender que ele possa estar doente ou perdendo a sanidade. Portanto, Gabriella está correndo contra o tempo para conseguir alcançá-lo antes que ele se perca de vez. O problema é que, conforme ela vai avançando pelos países e lugares que ele visitou, bem como conhecendo seus amigos e aqueles que o ajudaram durante a viagem, fica bem claro para o leitor o por que dessa viagem repentina e também por que ele parou de responder. Os próprios criados parecem saber o que estava por trás daquilo tudo, mas é claro que, nossa querida protagonista, mesmo sendo uma fucking médica (ou seja, no mínimo um pouquinho inteligente), é a ÚNICA que não percebe o que afligia seu pai. Sinceramente não sou obrigada.

O livro é intercalado por diversos tipos de narrativa: as cartas do pai de Gabriella, a narração da viagem que ela faz, que podemos considerar um diário e, ainda, partes do tal livro das doenças que ela vai escrevendo no decorrer da viagem. Confesso que em nenhum momento achei essa uma boa opção por parte da autora. No começo da leitura, fiquei confusa com todos aqueles diferentes tipos de texto se misturando nas páginas do livro. E tão logo me acostumei, já estava exausta disso tudo, só queria saber da história principal. A descrição das doenças e suas curas é até interessante, porque elas vão desde as coisas mais esdrúxulas, que você nem acredita que são verdade, até coisas que acontecem até hoje e nós realmente reconhecemos como doenças. Mas o mais interessante são as doenças que nós classificamos como outras coisas, como por exemplo, a melancolia. Para ilustrar, transcrevo abaixo o que ela diz sobre a inveja (!):



“Inveja – Um verme invisível que consome o coração
No campo, dizem que a doença fica dormente por muitos anos nas tripas do javali e tem sua origem nos cadáveres sem repouso que esses animais desenterram para comer durante o inverno, quando há escassez de nozes do carvalho na floresta e nada mais para comer. Os corpos não tiveram o devido descanso. São os assassinados ou perdidos, os famintos ou os loucos que traçaram seus caminhos em direção aos matagais da morte e não puderam ser resgatados. Crianças indesejadas deixadas na floresta. Prostitutas que se degeneraram. (...) O porco do mato funga e devora essa carne humana semicongelada em decomposição. Mas o rancor não se dissolve no poderoso estômago do suíno. Ele permanece nas dobras que se transformarão em salsichas. As tripas do intestino do porco no armário do duque ou na despensa do camponês estão repletas da inveja que os mortos têm dos vivos e que não pode ser mitigada. (...) A cura é difícil de ser conseguida, pois poderá levar muitos anos e frequentemente as pessoas acometidas pela inveja não estão dispostas a persistir. (...) Outros preferem a ferocidade da inveja às dificuldades de suas próprias vidas. Como o bispo de Wirtenberg, que certamente inveja a sabedoria das mulheres, os invejosos amam fervorosamente sua doença, arruinando a alegria que não conseguem ter.“


É por essas e outras que o livro se torna extremamente cansativo. A viagem é muito longa (logo, o livro também o é) e eu, como leitora, me sentia cansada por eles, sempre subindo e descendo montanhas, navegando por mares revoltos e até montando camelos, quando, por fim, a viagem chega ao Marrocos. Tudo isso acaba custando demais aos personagens, o que foi uma pena e acabou me deixando ainda mais frustrada com essa teimosia de Gabriella. Todo esse apego com o pai é simplesmente TOO MUCH e acaba cegando-a para aquilo que sempre esteve bem ali na sua frente: Olmina e Lorenzo. Com uma relação tumultuada com a própria mãe e ausência do pai, ela se sente quase que uma órfã. Mas é só durante a viagem que ela vai perceber que seus criados, que perderam uma filha assim que nasceu, a tratam e consideram sua própria filha. Ou seja, toda a admiração que eu tinha pela personagem lá no início foi murchando pouco a pouco, devido a sua cegueira e teimosia.

O que me deu forças para continuar a leitura foi tanto a curiosidade de saber que fim levou o pai de Gabriella, quanto a de aprender mais sobre a cultura da época e as particularidades de cada lugar que ela visitou. Podemos acompanhar, por exemplo, uma seção de dissecação, daquelas que vemos em diversos quadros holandeses da época. Foi um choque saber que músicos acompanhavam esse processo com suas melodias! E, em se tratando de uma protagonista mulher, o machismo da época se torna gritante em seus relatos. Vemos as diferenças do convívio das mulheres nos locais por onde ela passa. Na Itália, por exemplo, as mulheres tomam chá dentro de casa; já na Alemanha, existem tavernas feitas especialmente para atender as mulheres.

O domínio de diferentes religiões também é apresentado e, é claro, suas consequências são maiores para as mulheres, principalmente em regiões protestantes. Gabriella passa por cidades em que simplesmente não existem mais mulheres (na Alemanha), raptadas pelo medo da bruxaria, bem como por universidades praticamente sem nenhum livro, queimados pelos religiosos (os Huguenotes).  Ela também conhece diversas pessoas que lhe ajudam e compartilham seus conhecimentos com ela, até que por fim, ela chega ao Marrocos, local da última carta de seu pai.

O final foi, no mínimo, decepcionante. Apesar de eu ter sacado do que se tratava a tal doença do pai lá no primeiro capítulo, fiquei desapontada com o modo como a autora lidou com ela. Poderia ter sido algo muito mais grandioso e interessante, mas acabou sendo simplesmente meh. Fora que o epílogo é sofrível, visto que Gabriella, que durante todo o livro estava sempre afoita e atordoada, mal parece ter sentimentos ou emoções. Acabou parecendo preguiça da autora, que depois de escrever TANTO não aguentava mais essa história tanto quanto nós, leitores.

O Livro da Loucura e das Curas é uma leitura que vale a pena pelo conhecimento e curiosidades que traz sobre o Renascimento, a Europa e até um pouco da África. Mas acaba sendo cansativa e enfadonha por conta de uma protagonista que prometia tanto, mas acabou entregando bem pouco. Ás vezes apenas uma boa ideia não é o suficiente.