sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Aquecimento Oscar 2016 #2



Venho por meio deste finalizar a maratona de Oscar de Melhor Filme de 2016 e ainda estou chocada. Eu venho tentando fazer isso (assistir todos os filmes do Oscar) desde 2009. E esse ano, pela primeira vez, consegui! É muita emoção, chego a ficar com os olhos marejados.

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No primeiro post, eu falei sobre os filmes que mais gostei. Já esse aqui vai ficar com os que eu achei mais fracos. Na verdade em gostei bastante de Room, mas como queria dividir os posts bonitinhos, ele acabou caindo nesse aqui. #prioridades


Bridge of Spies
até os gifs são boring

Um advogado americano aceita defender um espião soviético capturado nos States. Ele acaba sendo enviado para Berlim para negociar a troca desse espião por um americano, feito prisioneiro por lá.

Gente. Pra que? Eu sei que é um filme sobre Guerra Fria e a Academia adora isso etc etc... Mas parece até filme de Sessão da Tarde (embora tenha que ser bastante picotado pra passar nesse programa, pois duas fucking horas e meia), daqueles que você assiste hoje e amanhã nem lembra mais. Eu demorei uns dois dias pra ver esse filme inteiro porque eu simplesmente não conseguia ver mais de meia hora seguida. Esse é o nível. A única coisa boa que posso apontar é que, pela primeira vez, eu vi um filme americano que não tenta vilanizar um espião soviético e achei isso muito legal. O ator que faz esse espião, Mark Rylance, foi até indicado a Melhor Ator Coadjuvante (embora eu ache que não tenha sido pra tanto). Mas no mais, nada me agradou.


The Big Short
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??????

Uns caras brancos veem, antes de todo mundo, que o mercado imobiliário está criando uma bolha na economia americana e decidem apostar contra ela, porque percebem que tudo vai desmoronar. 

Gente... ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ!!! O objetivo desse filme é facilitar o nosso entendimento sobre a crise de 2008, que quebrou os EUA e o mundo etc. Mas eu cheguei ao final dele sem entender bulhufas???? Não sei se todo mundo que assistiu também continuou na mesma ou se foi só porque eu fiquei com uma preguiça eterna desse filme e então criei uma certa resistência quanto a ele, são questões. Só sei que detestei tudo: os ângulos esquisitos de câmera, os famosos explicando as coisas complicadas (aparece tipo a Selena Gomez como ela própria explicando as coisas pro público, quebra da quarta parede etc), as perucas MUITO ruins etc. Mas tem atuações legais: o Christian Bale foi indicado a Melhor Ator Coadjuvante também e o Steve Carell estava ÓTIMO, mas não foi indicado a nada, achei sacanagem. Ah, esse filme contém um elevado teor de homens brancos por metro quadrado, apreciem com moderação.


Mad Max
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ponto alto do filme

Sinceramente, não sei como explicar direito qual é a desse filme, mas como já vi algumas pessoas dizendo pela internet: é só um bando de gente suja e esquisita correndo pelo deserto.

Pra começar: que fique claro que eu não gosto de filmes de ação. O máximo que eu consigo tolerar é filme de espião (que na verdade eu amo) e só. Esses filmes que tem perseguição de carro, tiro, porrada e bomba não são minha praia. Dito isto, fica fácil perceber porque achei Mad Max tão meh. VEJAM BEM: É UM BOM FILME. Simplesmente não é o tipo de coisa que eu gosto. E uma coisa que me deixou especialmente incomodada foi que achei as coisas muito mal explicadas. Grande parte da minha geração (arrisco dizer a maioria dela) não assistiu os outros filmes da franquia, então não achei legal simplesmente jogar um Max todo corroído pelo passado sem que nós saibamos que passado é esse. Mas gostei das moças que dirigem carros e atiram em bandidos e gostei mais ainda que um filme com um núcleo feminino tão forte tenha sido indicado ao prêmio de Melhor Filme. Ah, tem um cara tocando uma guitarra que sai fogo!!!!!!


Room 
babies


Jack é um garotinho de cinco anos que vive com sua mãe em um quarto de 10m². Eles estão presos num cativeiro para o qual a mãe dele foi levada por seu sequestrador quando era adolescente. Jack nasceu ali e nunca viu o lado de fora. Mas a paciência da mãe dele está se esgotando e quando eles finalmente conseguem fugir percebem que o mundo real pode ser tão assustador quanto o quarto.

Room é feito todo sob a perspectiva do pequeno Jack. O filme começa como se nós estivéssemos enxergando através dos olhos dele. Então somos apresentados ao quarto, seus “amigos”, sua mãe e sua vida. Apesar da situação adversa, a mãe de Jack, Joy, conseguiu criar todo um universo lúdico para seu filho, para protegê-lo da melhor maneira possível. Quando eles finalmente saem do cativeiro, algumas coisas passam a estar fora do alcance dela e isso a atormenta. Não consigo nem dizer qual parte do filme é a melhor: quando eles ainda estão no quarto ou quando eles conseguem fugir. Ambas são muito interessantes. Primeiro ver como é a vida dentro de um cativeiro e como Joy se esforça para dar um mínimo de conforto para seu filho, dentro das condições em que eles se encontram, ao mesmo tempo em que tenta se manter sã. Mas o momento em que eles se encontram do lado de fora foram os que realmente me surpreenderam.

Quer dizer, nós vemos casos como esse o tempo todo na TV. Pessoas que viveram sob cativeiro durante muito tempo e de repente conseguem a liberdade. Mas eu nunca tinha realmente pensado sobre isso, sobre o que vem depois, sobre como é a vida e a readaptação depois de uma situação dessas. E Room nos oferece isso de duas maneiras: Jack vendo o mundo pela primeira vez e Joy tentando se reencontrar nele. Nessa segunda parte eu fiquei um pouco incomodada com a insistência no ponto de vista de Jack porque acaba que nós não conseguimos ter uma ideia geral do que está acontecendo, só o que ele vê. Eu queria, por exemplo, saber mais sobre a Joy, sobre os problemas que ela desenvolveu depois de passar por inúmeros abusos e como ela estava lidando com isso. Mas acontece que só temos a visão de Jack que, venhamos e convenhamos, não é a mais madura né. Mas apesar dos pesares, Room é um filme lindo e realmente emocionante (e meio que me fez desenvolver uma curiosidade pouco-saudável sobre vida de sobreviventes de cativeiros).



Chegamos ao final da maratona! O meu palpite pro Oscar de Melhor Filme é The Revenant, mas se The Martian ganhar eu não vou ficar chateada (pra falar a verdade, só vou ficar p da vida se Bridge of Spies ou The Big Short ganharem, o resto a gente tolera). E qual filme vocês acham que deve ganhar? Aliás, o que vocês acharam desses filmes? Alguém fazendo maratona por aí? Conta pra gente!

Até o dia da premiação eu e Natália voltamos com mais um post, aguardem!


Bônus: Vocês sabiam que a Brie Larson é cantora? Cantora mesmo, não apenas músiquinha de Scott Pilgrim, ela tem CD gravado e tudo! Eu era MUITO fã dela nos idos de 2008/2009 e confesso que fiquei um tanto quanto bolada quando ela meio que largou a carreira na música pra se dedicar mais a atuar, mas hoje em dia vejo que vale a pena. A menina foi indicada pro Oscar! Como muita gente não conhece esse passado dela, deixo aqui uma das minhas músicas preferidas dela (e também da vida).


                                  

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Um vício

Então... achei um novo vício...

eu


Por acaso, mexendo no Youtube nosso de cada dia em 2013, percebo que no canal de Rafinha Bastos saiu uma entrevista com duas pessoas peculiares que nunca tinha ouvido falar na vida: Jovem Nerd e Azaghal. Resolvi ver (afinal, estava fazendo nada pra ninguém) e descubro que eles são super conhecidos por aí e possuem uma grande empresa com vários produtos nerds na web. O mais famoso citado no vídeo é o Nerdcast, podcast liderado por essas duas pessoas.

Curiosa como sou, resolvo procurar para saber do que se trata... e um novo mundo se abriu para mim.
Só me perguntava: como nunca tinha escutado um podcast antes? Como não conhecia a delícia do Nerdcast antes? Não lembro qual que ouvi primeiro, mas foi um sobre histórias cotidianas e achei a coisa mais sensacional do mundo!

Para quem não sabe o que é um podcast, lá vai uma explicação simples: é um programa de áudio transmitido pela internet, tipo um programa de rádio, geralmente atualizado semanalmente.

Quem conhece o Nerdcast ou o pessoal do Jovem Nerd, sabe que eles sempre brincam com um outro podcast, o Rapaduracast do Cinema com Rapadura, um podcast sobre cinema. Fui escutar um de curiosidade para saber como era e achei maravilhoso! Mais um para lista...

Assim, não consigo mais parar de escutar podcast e de procurar por novos! alguém me ajuda!  Escuto em todos momentos possíveis: antes de dormir, lavando louça, no busão e etc. É ótimo para passar o tempo e aprender um pouco mais sobre qualquer coisa.

Vou listar alguns (sério, to escutando vários no momento) de que mais gosto e de tipos variados:


Nerdcast, como falei antes, fala sobre tudo, com especialistas de várias áreas, o programa tenta abordar qualquer tipo de assunto, porém sempre de forma simples e engraçada, você adquire conhecimento super fácil. E não é só sobre coisas nerds, falam de história, ciência, cinema, séries, teorias da conspiração e também sobre o cotidiano, com as melhores pessoas, sério!

Rapaduracast, sobre cinema, falam sobre todos os tipos de filmes e qualquer coisa do mundo do cinema. E você ainda vai conhecer uma pessoa que é uma biblioteca ambulante, pois sabe tudo sobre quadrinhos e lembra de praticamente tudo sobre os filmes que já viu.

Um Milkshake Chamado Wanda, meus mozões do podcast, sério. Aquele programa em que parece que você está conversando com os seus amigos sobre a cultura pop e que ainda tem várias blocos, entre eles o Interessanteney com dicas de livros, séries, filmes, aplicativos e etc (quer nome melhor que esse?).

Dois de séries, porque a coisa que mais faço na vida é assistir séries, o Canal42 e Spoilers. Canal42 é feito pelo criador do Rapaduracast e é ótimo! Aborda sobre várias séries com um tom mais crítico e sobre universo que engloba as séries. O Spoilers tem um outro formato, com programas com temas sobre o mundo das séries, mas tratando de um modo mais geral, como o feminismo nas séries e se estamos assistindo séries demais, além de programas sobre uma série específica. Os dois tem tons diferentes e são ótimos.

O podcast do Não Salvo, o Não Ouvo, é para você rir. Ele é maravilhoso e tem uma das melhores coisas já feitas, o Análise Musical, em que eles pegam uma música brasileira e analisam cada frase hahaha. Gostava muito do finado podcast do Omelete, porém eles pararam de atualizar, mas vale a pena escutar os que ainda tem por aí.


Essas foram as minhas dicas, mas por favor, se alguém conhece outro podcast me diga nos comentários! Alimente esse vício! <3



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Aquecimento Oscar 2016 #1


Finalmente chegamos à melhor época do ano: a award season! Aquele momento do ano em que nos vemos às voltas com vestidos, penteados e red carpets (#prioridades) e, ocasionalmente, filmes. Ah, a felicidade!


Esse ano tivemos uma temporada turbulenta por conta de um certo prêmio que amamos odiar chamado Oscar que não indicou quem deveria e nos rendeu uns filminhos bem brejeiros, mas, felizmente, sempre teremos os vestidos (este blog não aceita pessoas que reclamam de what are you wearing) . Como não só de moda vive esta linha editorial, me propus a resenhar minimamente os filmes indicados esse ano. 

Ao todo são oito filmes na categoria Melhor Filme, que eu vou dividir em dois posts: quatro nesse e mais quatro no próximo. Talvez eu até me anime de escrever sobre as animações, mas não garanto nada. Conhecendo minha língua/dedos, é possível que eu me estenda mais do que o necessário, mas vamos tentar. (perdão pelos nomes originais dos filmes, é mais forte do que eu).

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Brooklyn

pfvr saoirse me ensina
Ellis Lacey é uma irlandesa que não tem muita perspectiva de crescimento profissional em sua terra natal. Sua irmã, que deseja um futuro melhor para ela, consegue um emprego para ela em Nova York, para onde ela vai. No começo a adaptação é difícil e Ellis sofre muito com saudades de casa e de sua família. Mas, aos poucos, ela vai aceitando sua nova realidade com a ajuda do padre local, do curso de contabilidade que começa a fazer e, principalmente, do amor. Quando Ellis conhece Tony, um jovem trabalhador italiano que também tenta melhorar de vida em NY, seu ânimo se renova e ela finalmente começa a ver a vida na cidade com uma perspectiva renovada. Mas é justamente então que ela precisa voltar à Irlanda às pressas e acaba encontrando oportunidades que não existiam antes de se mudar, o que faz com que ela fique dividida entre sua vida em NY e as novas possibilidades de sua terra natal.

Muita gente está se perguntando por que Brooklyn foi indicado ao Oscar de melhor filme. Gente, por favor. Se esse filme é uma história de amor, só pode ser o amor aos EUA. Brooklyn é, acima de tudo, sobre o sonho americano. É disso que a Academia gosta, é isso que a Academia quer. Fossem outras circunstâncias, Brooklyn seria indicado? Provavelmente não. Embora seja fofo e bonitinho, é um filme mediano que não supera expectativas (e eu tinha muitas, porque o trailer dá a ideia de que o filme é uma odisseia) e ainda te deixa com aquele gostinho de foi só isso? O final não me agradou muito porque achei uma resolução corrida e mal explicada. O que ele tem a seu favor é a técnica, contando com uma fotografia linda e figurino impecável (amei acompanhar o crescimento de Ellis por meio da caracterização da personagem), fora a atuação maravilhosa de Saoirse Ronan e a presença de mozão Domhnall Gleeson *suspiros*

The Martian

wake up in the morning feeling like p diddy


Um astronauta, Mark Whatney, é dado como morto numa missão em Marte e abandonado por sua equipe. Mas, contrariando tudo que se esperava, ele sobrevive e agora precisa se manter vivo até ser resgatado. (olha só como eu tô melhorando nesse lance de sinopse)

Eu não sei vocês, mas depois de Gravidade (filme este que vi inteirinho sem dormir e adorei), eu reviro meus olhinhos para todo e qualquer filme sobre espaço. Portanto, confesso que foi com certa preguiça que comecei a ver The Martian e, felizmente, quebrei a cara. Porque que filme! Nós acompanhamos os altos e baixos da luta de Mark pela sobrevivência e acaba sendo inevitável torcer por ele. Mark é espirituoso, o que nos rende boas risadas, mas não deixa de ser humano, e foi nesses momentos que me peguei torcendo pela sobrevivência dele. Isso se deve muito a Matt Damon, que fez um trabalho fantástico na pele do astronauta azarado e conseguiu nos fazer rir e chorar. No quesito técnica, o filme também é ótimo, porque a fotografia é maravilhosa e a trilha sonora é um show a parte (nunca mais vou escutar ABBA do mesmo jeito). Num ano em que a Academia indicou tantos filmes meia boca, The Martian pareceu ser um dos poucos acertos.

The Revenant 

vamo que dá
Hugh Glass é um caçador a serviço de uma companhia de peles, atuando como uma espécie de guia (ele conhece bem o terreno por ter vivido com indígenas durante um tempo). Porém, ele tem um encontro infeliz com um urso, ficando mortalmente ferido. Atrasando cada vez mais o ritmo da Cia, o capitão do grupo determina que dois homens fiquem com Glass até que ele morra e deem um enterro digno pro cara. Eventualmente, ele é abandonado por esses homens e dado como morto, mas acaba sobrevivendo e parte em busca de vingança.

Não vou falar pra vocês que eu esperava pouco desse filme. Afinal de contas, todo mundo anda dizendo que dessa vez vai (sim, estou falando do Leo). Mas o que surpreendeu até a mim mesma é que, de fato, o filme é ótimo e, pra mim, merece a estatueta de melhor filme. Tecnicamente, é impecabilíssimo. Uma das fotografias mais bonitas que já vi e pasme: foi tudo feito à base de luz natural, o que estreitava muito o tempo viável de filmagem e fez com que a equipe tivesse que mudar de locação (lê-se: país) no meio da produção pra continuar tendo uma luz decente. Os famigerados planos-sequência de Iñárritu finalmente deram certo (eu odeio Birdman) e nos fazem mergulhar nas paisagens belas e assustadoras do interior dos EUA, bem como na luta pela sobrevivência do personagem principal. Muitas vezes me senti dentro de um quadro da Escola do Rio Hudson (google it, vocês não vão se arrepender), o que foi uma experiência e tanto para uma estudante de artes babona como eu. Os flashbacks para o passado de Glass também são estonteantes e uma das coisas que mais gostei no filme, junto com mozão Domhnall Gleeson, também presente aqui, em toda sua glória ruiva.

A pequenez do homem em relação à natureza é explorada de diversas formas, tanto levando em consideração Glass e a paisagem, quanto Glass e o próprio urso. E por falar nisso, não tem como deixar de mencionar a atuação de menino Leo. Eu sou apaixonada por este homem e venho torcendo pelo tão sonhado Oscar há anos, mas acho que toda essa espera contribuiu e culminou nesse momento. Leo realmente deu tudo de si. Mais do que os jogos de câmera do diretor, o que realmente nos coloca dentro da história é a atuação competentíssima de Leonardo Dicaprio, que nos entrega uma performance eletrizante mesmo com pouquíssimas falas. E o quão irônico seria finalmente ganhar um Oscar por um papel puramente corporal e expressivo? É o que todos esperamos ver.

Spotlight

posso andar com vocês no recreio?
 Spotlight é a equipe especial de jornalismo investigativo do The Boston Globe que fica responsável por investigar denúncias frequentes de pedofilia por parte de membros da Igreja Católica. Conforme os jornalistas cavam mais fundo, eles acabam se deparando com uma trama internacional que envolve não só os padres acusados, mas também o alto clero, que acoberta e acaba permitindo tal prática e a própria sociedade de Boston que, por ser uma cidade extremamente católica, faz vista grossa para algo que é gritante.

Uma grata surpresa é como eu descreveria Spotlight. Quando fiquei sabendo da temática do filme, me peguei revirando meus olhinhos, pois mais um filme sobre a pedofilia na Igreja Católica, zzzzzzzzz NEXT. E, mais uma vez, acabei quebrando a cara. Spotlight é um filme sobre jornalismo investigativo. O caso, por mais grandioso e pesado que seja, poderia ser qualquer outro (ok, talvez não, mas enfim). Porque o que importa aqui é mostrar a criação de uma grande matéria investigativa, as pessoas por trás dela e os efeitos que esse tipo de trabalho pode provocar em quem o faz. Logo, somos apresentados à coleta de dados, testemunhas e suspeitos, bem como as reações dos próprios jornalistas e como cada um lida com as descobertas feitas num nível pessoal. Todos eles têm algum tipo de envolvimento com o caso, como o personagem do Michael Keaton, que estudou em uma escola católica onde, muito provavelmente, aconteciam abusos. Spotlight pode até ser um filme sobre O jornalismo, mas é também um filme sobre aqueles que o fazem acontecer e nos faz lembrar que no fundo, eles também são humanos.



 E aí, vocês estão maratonando os filmes do Oscar? Já assistiram esses? E os outros quatro? Ainda essa semana eu volto com o próximo post, falando sobre os filmes restantes. 


sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Você está convidado para uma festa num porão obscuro de Nova York



Estados Unidos da América. Anos 20. Evie O’Neill, uma garota de uma abastada família do interior, sonha com o glamour e a fama dos palcos do Ziegfield Follies e das telas de cinema. A sorte parece sorrir para ela quando se envolve em uma confusão em sua cidade natal por conta de um poder sobrenatural que deve ser mantido a sete chaves, o que motiva seus pais a fazerem justamente o que ela queria: mandá-la para a cidade grande. Evie vai passar uns tempos com seu tio Will em Nova York, até a poeira baixar em casa. Mas, ela logo vai perceber que nem tudo são flores...

Will é o curador-responsável pelo Museu do Folclore Americano, Superstição e Ocultismo, também conhecido como “Museu dos Insetos Rastejantes”, apelido que, por si só, dá uma ideia do quão entediante esse mundo vai parecer para Evie. Além disso, NY é uma cidade muito maior do que aquela com a qual ela estava acostumada e, atrelado a isso, vem não só as vantagens, como os shows do Ziegfield na Broadway e as festas regadas a álcool escondidas nos porões da cidade, que Evie tanto gosta. NY é, também, cheia de trombadinhas e charlatões querendo se dar bem em cima dos outros. Mesmo assim, ninguém esperava (muito menos a inocente Evie) que uma série de assassinatos baseados em magia negra e ocultismo fossem começar a acontecer. E ninguém melhor do que o chefe do único museu (da cidade) especializado nesse assunto para solucioná-los, não é mesmo?

Os Videntes é um livro envolvente. Libba Bray consegue criar uma teia de mistério e suspense envolvendo esses assassinatos e o sobrenatural. Os crimes vêm acompanhados de bilhetes e símbolos enigmáticos, que deixam claro que não se tratam de homicídios quaisquer. Além do mais, os requintes de crueldade (tanto do assassino quanto de Libba, que descreve tudo nos mínimos detalhes), me deixaram curiosa e amedrontada. Às eu estava lendo o livro à noite e tinha que parar e deixar pro dia seguinte por medo de ter pesadelos (embora não quisesse largá-lo por nada, visto que eu precisava MUITO saber o que ia acontecer). Embora a trilogia Gemma Doyle, trabalho anterior da autora, também flertasse com o sobrenatural e o macabro, nada me preparou para o que veio nessa.

Mas, Libba conseguiu balancear esse peso com a atmosfera da década de 1920, com suas melindrosas, jazz e festas a lá Gatsby. A autora reconstrói a NY daquela época nos mínimos detalhes, nos transportando para aquele tempo. Algo que eu achei interessantíssimo foram as diferentes faces da cidade e classes sociais exploradas por Libba. De um lado os ricos e abastados que frequentavam o Follies e os bares dos porões; e de outro, os mais humildes, que moravam na periferia e eram os empregados e funcionários dos locais frequentados pela elite. Temos ainda uma comunidade de fanáticos religiosos, os comunistas, os imigrantes, o começo de Chinatown e por aí vai... Os EUA e, consequentemente NY, não eram ainda a potência que são hoje, embora o pós-guerra (época do livro) tenha sido um dos momentos cruciais para o crescimento do país, e isso é muito bem retratado aqui.

No decorrer do livro somos apresentados não só aos dons de Evie, mas também aos de Theta, Memphis Campbell, Sam Lloyd, entre outros. Todos têm poderes sobrenaturais e, de uma maneira ou de outra, se veem ligados aos casos de assassinato, que também lidam com o sobrenatural. Isso me remeteu a algo tratado num livro que li há muito tempo, chamado Kiki Strike e a Cidade das Sombras, que lida com a premissa de que existe uma NY escondida (nesse caso, uma outra NY literalmente embaixo de Manhattan). Todas essas pessoas tentando esconder seus poderes sobrenaturais me deram a impressão de que existe uma NY mais sombria e misteriosa por trás das luzes das fachadas da Broadway. 

Mas, isso foi algo que contribuiu para que eu, por vezes, ficasse um pouco cansada da leitura. O livro todo é narrado sob diferentes pontos de vista, tanto os dos protagonistas, quanto das vítimas dos crimes. O problema é que são MUITAS pessoas, tanto que eu levei um tempo para me acostumar com a narrativa e entender quem era quem. Fora que, muitas vezes, essa alternância em ponto de vista atrapalhava o fluxo de acontecimentos e descobertas importantes que tinham sido feitas em capítulos anteriores, o que fez com que eu pulasse alguns capítulos pra não perder o fio da meada. Só que: tudo isso é importante. Embora Evie seja a maior protagonista, não tem como negar que todos os outros têm papéis tão importantes quanto os dela e é por meio deles que podemos ter uma percepção ampliada da história e da cidade. 

No geral, a leitura é satisfatória. As descobertas e os mistérios vão se desenrolando rapidamente, de modo que você não quer largar o livro de jeito algum. A trama principal termina bem fechadinha, mas ainda sobram algumas arestas que, provavelmente, vão ser aparadas nos próximos livros. Os Videntes é o primeiro de uma trilogia, sendo o único lançado no Brasil, por enquanto. 

Vem dançar charlestone também!


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Hellofriend.gif

Olá migas, tudo bem com vocês?



 Sim, voltamos! 

Após um grande hiatus no Nas Quartas Usamos Rosa, voltamos com grande inspiração! A pausa do blog foi causada por pura procrastinação. Com a faculdade e algumas coisas pessoais tomando tempo das nossas vidas, o blog foi sendo deixado de lado, os posts sendo deixados sempre para depois e quando percebemos já não estávamos mais pensando no blog.

Eu e Mariana conversamos e resolvemos voltar a postar com frequência e com a esperança disso não acontecer mais. Pensamos em várias coisas legais e pretendemos colocar em prática o mais rápido possível!



Então, sejam bem-vindos novamente e até mais!